• Filosofando com as panelas

    Como cuidar de uma composteira doméstica

    Minha história com a composteira

    Quando a gente percebe o meio ambiente como extensão do nosso território, é bem possível que surja uma vontade de cuidar dele – pelo menos foi o que aconteceu comigo.

    Já reciclava o meu lixo seco há tempos, mas achava que compostar resíduos orgânicos era uma coisa que jamais se encaixaria na minha rotina. Pensava que iria feder a casa inteira, que minhocas andariam pela sala, enfim, um tanto de crenças absurdas haha!

    Como eu cozinho pra caramba e esse movimento só aumenta, meu incômodo quanto à destinação das cascas de alimentos e restinhos das minhas produções estava grande demais, por isso resolvi me matricular numa oficina aqui na minha cidade para aprender a construir uma composteira (alô, pessoal do @massalasprojeto!).

    Isso tem uns dois anos, e desde então eu e eu companheiro reciclamos quase todo o nosso resíduo orgânico – digo “quase”, pois, como você verá no fim deste post, uma singela parte do que a gente produz não é recomendada colocar no minhocário.

    Como fazer uma composteira doméstica

    Para facilitar a vida, deixo aqui um vídeo bem didático bem curtinho, sobre como fazer uma composteira com 3 baldes, que garimpei no YouTube. Juro que é simples. Se você não é do tipo que constrói coisas, pode pular essa etapa comprando uma, existem vários sites que vendem composteiras prontas para uso. 

    Abaixo, um manual completo de como cuidar, pois essa parte requer um pouquinho mais de atenção. Senta, pega uma xícara de café e vamos lá:

    Identificando sua composteira doméstica

    • 2 baldes digestores, posicionados na parte superior do sistema e furados no fundo. Os furos possuem o tamanho suficiente para possibilitar a travessia das minhocas, se você optar por tê-las, e o escoamento do excesso de líquido (chorume orgânico) para o balde coletor. Neles serão colocados os resíduos orgânicos da sua cozinha.
    • 1 balde coletor, na parte inferior do sistema. Ele não é furado e possui uma torneira embaixo. A função desse coletor é coletar e armazenar o chorume (líquido que escorre dos resíduos alimentares). O chorume orgânico é um biofertilizante muito forte e concentrado, por isso deve ser diluído em água para ser utilizado como adubo na rega das plantas. Acompanhe a produção de chorume e abra a torneira para verificar se você precisa extrair, pois a quantidade é variável e vai depender do material orgânico que você colocar na sua composteira.
    • Tampa, que possui pequenos furos que possibilita a entrada de ar no balde superior, mas impede a entrada de insetos voadores. A tampa também regula a umidade do sistema.
    • Minhocas (opcional, viu?): a melhor espécie é a de minhocas californianas (Eisenia andrei), pois são excelentes agentes decompositores, menores e aparentemente mais oleosas que as minhocas nativas, comum em nossos jardins.
    • Cama de minhocas (opcional): é a mistura de terra (composto e húmus, se tiver) e serragem (ou outra matéria seca) que deve forrar o fundo dos baldes digestores. Nessa camada de substrato as minhocas podem ser refugiar em casos de variações de temperatura devido à fermentação dos resíduos ou caso haja algum desequilíbrio no ambiente interno dos baldes.

    Mas é obrigatório o uso de minhocas?

    As minhocas aceleram o processo de compostagem, mas o uso delas na composteira é opcional. Lembre-se que o minhocário é um sistema vivo e único, de forma que tem o seu próprio tempo e jeito de se comportar. É importante que você participe de sua evolução, entenda suas necessidades e comportamento para que tudo funcione direitinho, sem cheiro, sem moscas, etc. É super normal que no começo as coisas andem um pouco mais devagar, já que o equilíbrio é alcançado com pequenos ajustes de rota ao longo do tempo – se estiver muito úmido, coloque mais serragem (ou outra matéria seca), se muito seco, diminua; se der muito chorume, drene com mais frequência, e assim por diante.

    Informações importantes para o uso da composteira doméstica

     

    1. Sua Composteira Doméstica deve ficar em um local arejado e sombreado. O calor em excesso compromete o bem estar e a vida das minhocas, além de acelerar o processo de decomposição e causar desequilíbrio.
    2. Inicialmente, coloque os resíduos orgânicos em cima do local onde as minhocas se encontram.
    3. SEMPRE CUBRA OS RESÍDUOS ORGÂNICOS COMPLETAMENTE com matérias secas (folhas, palhas, serragem, papel, papelão picado ou jornal, como última opção). O melhor tipo de material para este fim são as serragens grossas, mas tudo bem se usar da fina, que é mais comum. Atenção para não pegar serragem de madeiras tratadas (verniz, tinta, etc), nem de aglomerados e fórmicas devido às colas e químicos presentes nesse tipo de material, tá? Ah, você pode conseguir serragem gratuita nas marcenarias – procure uma perto de sua casa e leve uma sacolinha, nós nunca pagamos por elas.
    4. Os resíduos orgânicos devem ser colocados no balde digestor que está em cima (balde onde se encontram as minhocas). O uso específico de cada um vai determinar o tempo de enchimento do balde, bem como o período
      de compostagem completa dos resíduos. Quando este primeiro balde encher (tem que encher MESMO, pra ter contato com o fundo do balde que ficará por cima pras minhocas poderem migrar depois de terminarem ‘oserviço’ nesse balde), coloque-a no meio do sistema, e suba o balde que estava no meio para receber os próximos resíduos orgânicos. Este balde também deve receber uma camada primária que pode ser retirada (cama de minhocas) do balde que ficou cheio, pois a quantidade de minhocas no início ainda é reduzida, então elas levarão mais tempo que o normal para digerir totalmente os resíduos orgânicos dos primeiras baldes. Por esse motivo, é possível que nas primeiras colheitas de húmus os resíduos não estejam totalmente “digeridos”, porém, já passaram pelo processo de fermentação (calor) e pode ser usado normalmente como adubo. Em poucos meses as minhocas se multiplicarão, povoarão os dois baldes digestores e compostarão seus resíduos orgânicos mais rapidamente. Quando for trocar o balde, vale a pena mexer o conteúdo do balde de cima com a ajuda de uma pá.
    5. Para agilizar o processo de digestão, pique os resíduos antes de colocar nos baldes.
    6. As minhocas conseguem sobreviver até 3 meses sem a inserção de novos alimentos. Portanto, se precisar viajar por tanto tempo, complete o baldes com alimentos frescos e vá tranquila(o) mas não se esqueça de deixar a composteira na sombra!
    7. Para possibilitar a retirada do biofertilizante líquido (chorume orgânico) pela torneira, a composteira deve estar apoiada em algum suporte que eleve a altura do balde inferior. Recolha e dilua-o em água, na proporção de 1 parte para 10 a 15 partes de água e regue suas plantas.
    8. Às vezes acontece de algumas minhocas caírem no balde do chorume e morrerem afogadas por não conseguirem voltar para o balde do meio. Para evitar isso é aconselhável coletar o biofertilizante semanalmente ou colocar um ou mais tijolos dentro desse balde, ecostado(s) em uma das paredes, pois eles oferecerão a aderência necessária para as minhocas conseguirem sair do líquido e subir para o balde do meio, tá?
    9. Para a coleta do húmus é necessário que o balde do meio (cheio) esteja sendo ‘trabalhado’ pelas minhocas a algumas semanas (como já observado, cada sistema tem o seu tempo). Quando elas terminarem de digerir tudo irão migrar para o balde de cima, com alimento fresco. Uma estratégia é colocar esse balde cheio (do meio) aberto no sol (se possível) pois as minhocas mergulharão para o fundo, facilitando a retirada do adubo que estará na parte superior do balde. Nas primeiras retiradas de húmus sugerimos devolver as minhocas para a composteira para aumentar sua população.

    O que PODE ser colocado na sua Composteira Doméstica

     

    – frutas, legumes, verduras, grãos e sementes
    – saquinhos de chá, erva de chimarrão, borra de café e de cevada
    – sobras de alimentos cozidos (sem exageros) ou estragados e cascas de ovos
    – palhas, folhas secas, serragem, gravetos (quebre-os em pequenos pedaços), podas de jardim
    – papel toalha, guardanapos de papel, papel de pão, embalagem de pizza e papel jornal (tudo picado).

    O que NÃO PODE ser colocado na sua Composteira Doméstica

    – carnes de qualquer espécie
    – casca de limão, laranja e outros cítricos
    – laticínios, óleos, gorduras
    – papel higiênico usado
    – fezes de animais domésticos
    – alimentos cozidos (em mais quantidade que os alimentos crus)
    – temperos em grande quantidade


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    As fotos que você vê são da minha própria composteira, pelos olhos da @nanirodrigues

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