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    Creme de beterraba e a divisão igualitária de tarefas

    Tomo muito cuidado para não romantizar a cozinha pois conto com várias coisas que me animam bastante na hora de mexer as panelas: gosto de testar coisas novas, ganho ingredientes, me interesso pelo assunto e, principalmente, divido tarefas domésticas (todas) de forma igualitária com o Daniel, meu companheiro. Mas não é assim que acontece na casa da maior parte das pessoas, ainda mais se estivermos falando de relações hétero.


    Não se deixem enganar, mulheres, é muito fácil absorver o discurso machista que paira sobre a divisão de tarefas: não estaremos ao lado de homens feministas só por que eles “ajudam” a lavar vasilha (quando lavam) ou vão ao mercado e voltam com pão para o lanche, pois existe MUITO a ser feito quando estamos falando de cozinhar em casa. Resolvi escrever esse desabafo pois ando completamente exausta de ver homem feministo pregando de gatão desconstruído na internet. A carga mental que vem da cozinha é gigante: ela passa por consultar o que falta na despensa, listar ingredientes, planejar o cardápio, comprar, fazer, servir, limpar e já pensar também o que será servido na próxima refeição.

    Quando eu e Dani juntamos as trouxinhas, custamos a entender a dinâmica da casa. Aos poucos fomos sentindo o que funcionava melhor, tivemos que fazer trocentos ajustes até a coisa desembolar de verdade, e essa construção recíproca, que continua sendo ajustada todo dia, só acontece quando as pessoas estão realmente dispostas a sair de um lugar de privilégio.

    Foto da amiga @luizabongir

    As conversas nessas horas são fun-da-men-ta-is. Se precisar de uma forcinha, tem um textão onde falo sobre “como planejar a alimentação semanal”. Minha sugestão é ele seja lido em voz alta entre o casal, de preferência acompanhado de uma cervejinha descontraída, para servir de norte e promover mu-danças. Desabafem, fiquem putas e batam o pé se for preciso! Nunca, mas nunca mesmo, tenham medo de estabelecer limites. Em pleno 2019 não dá mais para ser coach-mãe de macho, viu? Agora um recado aos homens: sigamos juntos, não esperem pedidos de “ajuda”, sempre é tempo de melhorar. Tomem frente das coisas, dá um tesão danado!

    A sugestão que deixo para o jantar de hoje é um creme de beterraba bonito de ver e simples de fazer. Para assegurar a cor, a beterraba tem que entrar crua na receita. Se você não gostar de castanhas ou não puder comprar, troque por mais um inhame médio cozido.

    Ingredientes para 2 pessoas

    1 beterraba pequena com a casca (crua)

    1 inhame médio cozido sem a casca (ela é comestível, mas aqui vai atrapalhar a cor. Use as cascas para fazer um chips, levando ao forno em tabuleiro untado, com sal salpicado, até ficar crocante)

    150g de castanhas de caju demolhadas (deixar de molho em água o suficiente para cobrir por pelo menos 15 minutos)

    Sal a gosto

    Especiarias a gosto (usei semente de coentro macerada e um pouquinho de açafrão da terra, também conhecido como cúrcuma)

    Como fazer

    Bata tudo no liquidificador até virar um creme bem homogêneo. Se for preciso, adicione um pouquinho de água filtrada até chegar no ponto desejado.

    Volte ao fogo para aquecer.

    Se for preciso, corrija o sal.

    Sirva em seguida!

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