• Filosofando com as panelas

    Memórias besuntadas

    A gente se reunia em volta da mesa de plástico branco com as massinhas de pastel, um copo cheio d´água e uma pequena bacia farta de recheio, que geralmente levava batatas cozidas e picadinhas em cubos. Eu e minhas irmãs íamos seguindo as orientações de nossa mãe, que nos dizia para molhar os dedos e passá-los com delicadeza nas bordas da massa. A hora do recheio era bem importante: nem mixado demais, para evitar um pastel oco e sem graça, nem exagerado, para não rachar durante a fritura.

    Daí era só aninhar duas colheradas da gostosura da vez num dos cantos da massa e dobrar, alinhando borda com borda. Depois, com a ajuda de um garfo, apertávamos bem até formar marcar finas o suficiente para grudar sem rachar. Pronto, agora era só fritar tudo na gordura quente! Comíamos com os olhinhos revirando e sem nenhuma culpa, como deve ser. No dia seguinte minha mãe coava o óleo da fritura e guardava para fazer o melhor sabão que conheço.

    Pensando agora, as memórias dos pásteis sempre foram generosas dentro de mim. Em Viçosa, cidade onde nasci, se come na feira de sábado pastéis dos mais variados tipos, que você pode enriquecer com várias colheradas do vinagrete de repolho verde que fica exposto em cima da barraquinha. Quando faço convite aos amigos para uma tarde de pastéis, percebo que a alegria mora mais no fazer do que na comilança. Ontem mesmo ensinei o Dani, meu companheiro, a fazer pastéis, criando assim outra memória para lambuzar meus dias.

     

    A receita desse queijo de inhame está aqui

    Na fotografia da @nanirodrigues eis um pastel diferente da infância. Fiz a massa com milho fresco, recheei com requeijão de inhame batido com alho poró, empanei com canjiquinha fina, fritei no óleo de babaçu que ganhei de um amigo maranhense e servi com meu clássico molho agridoce de pimentas.

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