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    O segredo da boa comida está no tempero fresco

    Onde comprar temperos frescos?

    Na Lista de 10 atitudes para motivar a cozinhar mais em casa, parte I, eu contei como minha vida mudou depois que adotei um armarinho para colocar meus temperos à vista.

    Indiquei também a ida às casas à granel para comprar especiarias secas em menor quantidade, mas como a vida é um aprendizado constante, de lá para cá descobri que muitas casas a granel pulverizam conservantes nos produtos para conservar o estoque.

    Passada a minha tristeza imensa, depois dessa mais do que nunca passei a dar preferência aos temperos secos vendidos nas feirinhas por pequenos produtores. Se você não sabe onde encontrar uma, pesquise no site www.feirasorganicas.org.br. Costumo encontrar também nas casas naturais que vendem chás e ervas para infusão.

    Como Usar

    Para que você tenha uma ligeira ideia da minha história na cozinha, preciso contar que cresci vendo meus pais usando “Tempero Arisco Completo” na maior parte dos preparos. A comida deles era deliciosa, não posso mentir, mas isso tem uma explicação: esses temperos prontos contêm alto índice de sódio, o que literalmente vicia nosso organismo. Desde que fui morar sozinha procurei me desvencilhar o máximo que podia dos gostos de sempre, e foi assim que descobri a maravilha dos temperinhos naturais.

    Mantenho ervinhas frescas em casa, como manjericão, tomilho, alecrim, nirá e cebolinha, que são incríveis para agregar sabor, mas isso rende um outro post.

    Lembro que uma vez vi meme sensacional que me matou de rir, que dizia: “guerras aconteceram por causa das especiarias e você fica aí, usando Sazon”. Consultando William Gesualdo, um amigo que é geógrafo à procura de quais guerras exatamente foram essas, e fiquei sabendo que a Guerra dos Sete Anos, travada entre 1595 a 1663, tinha como um dos objetivos o domínio do comércio de especiarias, assim como a guerra Luso-Holandesa, de 1756 e 1763. Demais, né?

    Mas antes de mostrar a lista, preciso indicar um utensílio maravilhoso que não abro mão na cozinha: o bom e velho pilão. Você pode optar por comprar de mármore, que é mais caro, ou de pedra sabão, facilmente encontrado nas lojinhas de beira de estrada ou mercados tradicionais. Moendo as especiarias na hora, você garante frescor, pois quando a gente compra temperinhos moídos, eles provavelmente já estão velhos devido ao processo de oxidação. Se não tiver como comprar grãos inteiros, pelo menos cheire para certificar que eles ainda mantém as propriedades. Os temperos velhos geralmente não apresentam tanto odor.

     

    O pilão é meu melhor amigo na hora de temperar a comida!

    Foto da Fernanda Villaça

    Se você estiver imerso no universo culinário, pronto para dar um passo mais largo na caminhada contra a indústria alimentícia, quem sabe vale a pena investir numa secadora de ervas? Dá para encontrar boas marcas por aí por um preço não tão salgado.

    Sem mais delongas, eis a lista:

    Noz moscada

    Compre a noz inteira e rale somente quando for usar. Por mais que seja tentador comprar noz moscada moída, que dá menos trabalho e ainda sai mais barata, opte sempre por usar a noz inteira.

    Semente de cominho

    O cominho é super digestivo, é refrescante, e por isso cai muito bem como tomate, por exemplo, que pra muita gente é indigesto. Antes eu odiava essa semente, achava que ela roubava o gosto de tudo. Hoje, usando com moderação, passei a amar calorosamente.

    Cardamomo

    Essa semente verde tem um preço salgado, podendo chegar a mais de R$50 o quilo, mas usando com moderação consigo fazer caber no orçamento. Ela tem um frescor único que “eleva” os pratos. É digestiva e cai bem no café, pois segundo a Ayurveda, ciência indiana milenar, equilibra aquele efeito estressante que a cafeína em excesso pode causar.

    Cravo

    Geralmente cravo lembra arroz doce e delícias típicas juninas, né? Mas saiba que ele pode entrar nos preparos macerado com outras especiarias, Conferindo um toque invernal às receitas.

    Uma outra dica para além da cozinha é uma receitinha infalível de repelente, anota aí: 1 litro de álcool 70, 10g de cravo e 100ml de óleo mineral. Misture o álcool com o cravo e deixe curtindo por uma semana. Depois, adicione o óleo mineral e divida o conteúdo em potinhos para usar no dia a dia. A receita rende bastante, então recomendo que você dê um pouco aos amigos, para que ninguém mais precise comprar repelentes industrializados com ingredientes obscuros. Só tome cuidado de não usar e ficar exposto demais ao sol, para evitar manchas.

     

    Foto da Fernanda Villaça

     

    Açafrão da terra, também conhecido como cúrcuma

    Sou fã do açafrão da terra. Só não vale confundir com o “açafrão verdadeiro”, que é uma das especiarias mais caras do mundo.

    O açafrão da terra deixa os pratos bem amarelinhos e confere um sabor meio metálico à comida. Mas não se assuste, é um metálico bom, que deixa tudo mais gostoso. Nesse post ensinei a fazer mel de ouro, um fermentado que cura resfriados e fortalece o sistema imunológico.

    Nesse outro, mostro como fazer  Golden Milk, que nada mais é que leite de coco misturado com óleo de coco e especiarias. Faz um bem danando para os insones.

    Semente de coentro

    Essa maravilha é outra que, como o cardamomo e a noz moscada, garante uma sensação de frescor. Porém, é mais acessível em termos de custos e pode ser encontrada com facilidade. Você pode usar os grãos inteiros salteando no azeite antes de entrar com alho e cebola para temperar uma sopinha, por exemplo.

    Foto da Fernanda Villaça no meu último curso

    Pimenta do reino

    Preciso confessar que não uso muitas pimentas, já que elas costumam me agitar bastante. Mas como a pimenta do reino usada em pequenas quantidades faz milagres para acentuar os sabores de um prato, costumo moer na hora pra incrementar as receitas. Um pacotinho custa poucos dinheiros, então nada de comprar pimenta já moída, que se já não está velha, está ficando devido ao processo de oxidação, conforme expliquei lá em cima.

    Canela

    A canela não é só amiga dos pratos doces, minha gente! Ela pode ser a estrela dos cozidos e assados. A danada é um estimulante que dá energia quando adicionada a um suco PANC.

    Aprendi a usá-la fora do universo doce depois de visitar um restaurante grego em São Paulo, que serve muitos pratos quentes salgados com canela. Desde então minha vida na cozinha mudou: incremento até o gosto do chuchu com a danada.

    Só não vale tacar canela no café e achar que está fazendo a maior vantagem, pois se o seu organismo, assim como o meu, tiver propensão ao estresse, o corpo vai tomar um choque com esses dois juntos. Tenho uma conhecida que come um quilo de canela por mês e vive reclamando do calor… Então vá com calma pra sentir seu limite.

    Cumaru

    Junto com o cardamomo, o cumaru está entre as sementes mais caras que habitam meu armário de temperos. No Norte do Brasil, especialmente no Pará, um pacotinho custa cinco Reais, mas pelas bandas de cá do Sudeste vale uma fortuna. Se você tiver como acessar, não pense duas vezes antes de comprar essa semente dura e negra que lembra baunilha, noz moscada e canela! Nos pratos doces, principalmente, o cumaru confere um cheiro que perfuma a casa inteira.

    Páprica doce

    Quando não quero usar pimenta de jeito nenhum, mas preciso dar uma picância extra aos pratos, vou de páprica doce, que além de cumprir seu papel ainda colore de forma natural.

    Urucum

    Por falar em cores vivas, não poderia de acrescentar nessa lista as sementes brasileiras que honram nossa culinária! O urucum é suave, portanto o melhor colorante natural que pode haver. Ao invés de usar extrato de tomate concentrado industrializado no estrogonofe, por exemplo, dá-lhe urucum! Se você não encontrar, saiba que o colorau, que é uma mistura de fubá com urucum, também serve para colorir (mas lembre de dar preferência ao colorau sem milho transgênico).

    Se você gostou desse post, provavelmente vai curtir saber como fazer uma couve flor ao curry crocante!

    Para saber mais

    O livro “Ervas e especiarias”, de Jill. Norman, publicado pela ed. São Paulo, é uma excelente fonte para saber mais sobre os temperinhos.

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