• Filosofando com as panelas

    Porque comecei a fazer jejum

    “O que o jejum não cura, nada cura” – provérbio Russo

    Antes de começar a ler, preciso comentar que este post contém o relato da minha experiênciae  que, quando comecei a jejuar, obtive ajuda de especialistas. Portanto, talvez o que você verá aqui não vai se aplicar ao seu caso, ok?

    Li o livro “Meditando na Cozinha, da jornalista e pesquisadora Sonia Hirch, que tem uma passagem muito interessante sobre o jejum, e senti uma grande vontade de pesquisar sobre essa arte milenar. Depois de reunir muitas informações, abracei o desafio de me alimentar numa “janela” de apenas 08 horas por dia.

    Para acostumar o corpo, comecei me alimentando numa janela de 10 horas até chegar nas tais 08hs/dia. Como o conhecimento que veio daí foi uma das melhores mudanças de hábito que adotei na vida, vim contar um pouco da minha experiência.

    Como meu corpo estava antes de começar a fazer jejum

    Para começar, se você veio aqui em busca de emagrecimento, está no lugar errado. O que o jejum intermitente trouxe pra mim foi a recuperação de um contato mais consciente com a comida, pois antes de começar a praticar eu não prestava atenção no que estava comendo. Simplesmente mastigava tudo rapidamente para cumprir o protocolo da alimentação e gastava muito dinheiro comendo tudo que via pela frente. Preciso confessar que por vezes mal sentia o gosto da comida: devorava o almoço já pensando na próxima refeição e em consequência parei de escutar meu corpo.

    Meus níveis de colesterol estavam elevados, eu retia muito líquido e estava sempre cansada. É claro que antes de entrar nessa jornada consultei nutricionistas e fiz uma bateria sem fim de exames, já que o jejum não é indicado, por exemplo, para pessoas com certa deficiência metabólica.

    Só fui perceber essa compulsão numa viagem ao Chile, que fiz acompanhada de uma grande amiga que é totalmente adepta de uma alimentação balanceada e dos exercícios físicos. Ela notou que eu usava o método “coma de 3 em 3 horas” sem ao menos questionar o porquê de estar fazendo aquilo. Comia mesmo quando não estava com fome e ao invés de ficar satisfeita ingerindo vários lanchinhos num intervalo tão curto de tempo, sentia o que chamo de “falsa fome” a todo momento.

    Aos poucos fui me dando conta que vivemos num mundo onde há comida fácil à disposição em cada esquina. No caminho para casa nos deparamos com o pastelzinho frito, a empadinha engordurada de massa podre, o pão na chapa entupido de gordura saturada, os sanduíches processados e de quebra aquele docinho tipo festa de aniversário que vale justamente o troco.

    Três meses depois…

    Depois de 3 meses que comecei a fazer jejum me submeti a uma série de exames e confirmei o que já imaginava: minha saúde melhorou estratosfericamente! Na época, as pessoas que me cercam, notando a prática, passaram a perguntar: “mas o café da manhã não é a refeição mais importante do dia?”

    A depender do organismo essa crença é um mito! No meu caso, como minha alimentação estava completamente desbalanceada por conta da alta ingestação de gordura, frutose e sódio que vinham dos alimentos industrializados que eu consumia aos montes, eu não dava tempo para minha digestão se completar, então o jejum veio como um respiro para o corpo.

    Para quem nunca ouviu falar da autofagia, vale anotar o ensinamento de Yoshinori Ohsumi, ganhador do Prêmio Nobel da Medicina: “a autofagia é um mecanismo importante de autolimpeza que existe em todas as células de nosso corpo. A redução da autofagia leva ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte das células e ao desenvolvimento de doenças. Assim, manter o mecanismo ativo seria uma forma de prevenir problemas futuros”.

    Depois de iniciar as práticas meu café da manhã passou a se restringir a infusões e, de vez em quando, uma xícara de café medicado com cardamomo (rasgo a baga e uso somente as sementinhas internas).

    Como pratico o jejum atualmente

    Depois de finalmente entender como o jejum funciona no meu corpo, parei de fazer com frequência. Hoje pratico cerca de 5 vezes num mês, o que já é suficiente para obter os efeitos que desejo. E é claro que, quando estou de TPM, com dor de cabeça, resfriado ou que simplesmente sinto fome, não me privo do café da manhã. Com o tempo a gente começa a entender a diferença entre a “falsa fome” e a fome de verdade.

    A jornada do jejum intermitente aumentou minha capacidade de concentração. Em consequência, tenho mais facilidade para entrar em estado meditativo, o que diminuiu meus níveis de ansiedade.

    De acordo com a bateria de exames, meu sangue está fluindo feliz pelas veias, até o nível do chamado “mau colesterol” caiu drasticamente. De quebra o “bom colesterol” aumentou, a glicose caiu, minha disposição para os exercícios físicos aumentou e me sinto muito bem com apenas 7 horas de sono. Antes eu precisava dormir pelo menos 9 ou 10!

    Além de tudo, aprendi o valor de cada alimento e como eles interagem entre si, sinto mais vontade de fazer exercícios físicos e mais disposta a estudar cada um dos ingredientes das receitinhas que posto aqui. Meus gastos mensais com comida caíram cerca de 40%, pois passei a cozinhar mais em casa, já que consigo esperar para comer e não sinto qualquer tipo de tontura ou náusea, e, ainda que não buscasse o emagrecimento, perdi 10 quilos de forma saudável no período de 6 meses (não estou comemorando o emagrecimento por si só, e sim a regulação dos hormônios e níveis de gordura, sódio e açúcar que correm no organismo).

    Em resumo, me sinto mais disposta e de bem com a vida. Segundo especialistas, de fato o jejum rejuvenesce as células e irriga o cérebro. O fígado relaxa e dá bom humor, a respiração é mais solta e profunda, e lá de dentro do “vazio” recomeça a brotar, crescer e expandir energias positivas como fonte de resistência, equilíbrio e vitalidade.

    O pediatra Adam Hartman, do The Johns Hopkins Children’s Center (EUA), que estuda o benefício do jejum para crianças com epilepsia, afirma que há grande suspeita que jejuar afeta a maneira como os neurônios se comunicam. Ele acompanhou crianças de 2 a 7 anos que recebiam dieta rica em gordura e que passaram a fazer uso do jejum intermitente, e 4 das 6 apresentaram redução de 50% a 99% no número de crises de epilepsia depois da mudança.

    Entre os benefícios, o jejum:

    • diminui o muco intestinal
    • elimina toxinas
    • limpa os rins e sistema digestivo
    • elimina impureza das juntas e músculos
    • restaura o corpo
    • autofagia

    Até acostumar, você pode sentir dor de cabeça, cansaço, tonteira, dores nas juntas, etc., mas isso faz parte do processo de limpeza (estou considerando que você só vai iniciar essa prática fazendo acompanhamento médico, hein? Nada de fazer jejum por conta própria!)

    Ok, entendi os benefícios e quero começar a prática. Mas como vou driblar a “falsa fome”?

    Mastigue uma folha de hortelã quando sentir que a fome apertou, pois ela é muito aromática e estimula o cérebro, ajudando na altivez do espírito e do corpo.

    Tome água. Um estômago preenchido pelo líquido da vida desintoxica, ajuda na digestão e aumenta a sensação de bem-estar, até porque o cérebro é acionado na mesma área (hipotálamo) quando sentimos fome ou sede, e quando não sabemos ouvir o corpo, a fome pode parecer sede. Isso piora quando não se tem o costume de ingerir água, pois inconscientemente você vai procurar água nos alimentos, esse é o jeitinho que o corpo arruma de se hidratar.

    Adote os chás e infusões em seu dia-a-dia. As gôndolas dos supermercados estão cheias deles, mas se possível opte pelo chá de folhas, que é mais natural e bastante aromático. Os que vem em saquinhos geralmente contém conservantes, afora que geram um lixo a mais no mundo.

    Não gosta de chá? Experimente colocar uma rodelinha de limão ou gengibre na água.

    Foto da @diniloris

    Tenha em mente que a comida é componente essencial da boa saúde. Ela perpetua tradições, nos remete à infância e acalenta os coraçõezinhos. Como tudo na vida, há dias de permissões, fartura e bonança, como também há dias de sucos, sopinha e outras comidas líquidas, mais fáceis de digerir.

    Jejue pelo menos durante algumas horas entre uma refeição e outra, e aos poucos vá aumentando a “dose”.

    Se permita dedicar, na próxima refeição, toda sua atenção às garfadas que levar à boca. Cheire sua comida, mastigue devagar, sinta a textura dela, e se possível sente à mesa com quem você ama. Não fale de dinheiro ou política enquanto come. Faça como os franceses: prefira opinar sobre vinho e temperos, ou simplesmente desfrute o momento em silêncio, é engrandecedor.

    Quando você toma consciência do que está comendo, se atenta às funções dos alimentos e às vitaminas e ao que seu corpo de fato precisa, fica a um pulo pra fazer do que você come seu remédio e altar.

    Por fim, vale relembrar que esse post é uma matéria independente que contém um depoimento pessoal. Então antes de iniciar essa prática, consulte um médico!

    Dica de vídeo:

    Fontes:

    http://istoe.com.br/340578_OS+BENEFICIOS+DO+JEJUM/

    https://emagrecendo.info/emagrecer-de-vez/jejum-intermitente/

    https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/11/28/jejum-ou-corte-radical-de-alimentos-pode-garantir-longevidade.htm

    http://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2014/06/30/noticias-saude,192157/pesquisas-dizem-que-jejum-fortalece-o-sistema-imunologico.shtml

    http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/06/1300291-fazer-jejum-intermitente-e-seguro-e-mais-eficaz-que-dieta-tradicional-diz-medico.shtml

     

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    6 Comentários

  • O que a independência, a cura e o equilíbrio tem a ver com o ato de cozinhar – Cebola Na Manteiga 27/06/2017 at 18:09

    […] Não adianta otimizar sua alimentação ou fazer dieta se você não prestar atenção em qual tipo de fome está sentindo. […]

  • Lucas Marqs 09/07/2017 at 10:56

    Carol, muito inspirador o texto 🙂 Li com atenção desta vez e depois li mais a respeito nos outros links que você recomendou. Sou inconsequente, não tenho força de vontade e particularmente pouco acredito na mudança, mas optei em fazer o método 16/8 e te conto se tá dando certo. Valeu demais!

  • Diminuir o consumo de carne é auto empoderamento (ou vegetarianismo para iniciantes) – Cebola Na Manteiga 22/08/2017 at 14:34

    […] estamos comendo todos os dias? Como a comida ingerida pode influenciar o corpo e bem-estar? Será que aquela fome que a gente sente de 3 em 3 horas pode ser emocional? Por que estamos condicionados a comer carne? O que há debaixo das cortinas da indústria que […]

  • Rodrigo Soares 30/09/2017 at 16:09

    Amei

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