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    Suco de limão fermentado

    Vejo inúmeras receitas com limão siciliano pelo mundo afora, mas quase nunca com o limão-capeta, também conhecido como “rosa”, “cavalo” e “cravo”, presente nas roças de boa parte do Brasil. O nome científico da fruta já denuncia seu cruzo divino entre o limão e a laranja: Citrus X limonia. Em homenagem a essa lindeza resplandecente que ganha de lavada do limão siciliano, vim ensinar a fermentar o limão-capeta.


    Enquanto fazia os testes, deparei-me com este post da jornalista gastronômica Neli Pereira, justamente contando a história do limão-capeta. E já tô aqui matutando para fazer um dos drinques maravilhosos que ela ensina com o suco fermentado!

    Anota a receita aí: extraia manualmente 400ml de suco de limão-capeta, coloque num pote bem higienizado e seco, depois acrescente 12g de sal — perceba que a proporção de sal é de 3%, então se você não quiser espremer uma “baldada” enorme de limão, basta fazer o cálculo para não errar a mão. O pote fica 5 dias fora da geladeira com um paninho ou papel toalha em cima e um elástico para prender, como na foto. Mexa 1 vez ao dia. Depois desses 5 dias, o pote vai para a geladeira e dura por tempo indeterminado. Pode usar nas saladas, patês, conservas (serve como “starter” para fermentados) e onde mais sua imaginação permitir.

    O importante é não querer ser espertinha como eu fui e usar um espremedor: tive uma ingrata surpresa ao perceber que, no meu primeiro teste, por mais que tenha espremido com uma mão leve, a película branca do limão acabou sendo raspada pela lâmina da máquina, o que deixou o sabor intragável. Tive que descartar tudo com imensa tristeza no coração (mas é a vida, né?!). A gente só aprende receitas novas errando.

    Quando postei sobre isso no Instagram (nunca tinha visto ninguém fermentando suco de limão-capeta), me enviaram este vídeo da Kayodo Takeda, onde ela ensina uma receita ultra parecida com a minha. A diferença é que a receita dela leva menos sal, mas eu gostei do resultado bem concentrado dos 3%, que apresenta menos formação de microrganismos na superfície.

    A Kayodo é uma cozinheira talentosíssima que citei como inspiração quando publiquei meu livro digital Para Começar a Curtir, sobre fermentação de vegetais, e não me canso de aprender com ela! Essa feliz coincidência é só mais uma prova de que na cozinha não há novas invenções: tudo já tá aí pronto para a gente absorver e, quem sabe, ajustar conforme nosso gosto — o que é uma belezura!

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