Browsing Tag :

doce de goiaba

  • Receitas veganas / sobremesas

    Goiabada cascão da roça

    Goiabada é a tradução de Minas Gerais (e tradição também!)

    Quando a safra de goiaba começa a ficar escassa, lá para o final de maio, é hora de fazer goiabada cascão para ter na geladeira o ano todo. Para isso, é preciso guardar o doce em potes de vidro e fazer de modo que toda a água seque.

    A receita abaixo é uma adaptação da receita do Hugo e da Clélia, moradores de Itapecerica-MG. Eles me ensinaram cada passinho da goiabada, mas preciso confessar que acrescentei algumas especiarias e um pouco de suco de limão na hora de fazer. O preparo original do casal leva só goiaba e açúcar, nada mais.

    A Sõnia Hirsch, minha cozinheira e autora preferida, é quem fala bastante dessa simplicidade boa na cozinha. Vou transcrever um trecho da crônica “Doces doces”, do livro “Paixão emagrece, amor engorda”, onde ela ensina a receita de um doce de banana que leva apenas bananas: “(…) na cozinha bebo dois copos de água fresca e vejo a penca de bananas do sítio, pra lá de maduras, a casca ficando preta. Simples e fácil descascar, cortas as pontas e colocar sem mais cuidados na panela de pedra com uma pitada de sal. Tampar e acender um fogo bem baixo, para que o calor aos poucos vá fazendo as bananas suarem. Suarem tanto que o suor vira calda, o esqueleto da banana aparece, a calda concentrada se reincorpora em forma de banana; e quando o cheiro estiver escandalosamente doce, o doce está pronto. A vizinha não acredita que não coloquei açúcar. Questão cultural: o Brasil colônia cresceu em cima dos engenhos de cana, e a gulodice criou uma receita padrão onde se põe sempre metade açúcar, metade fruta. Para quê? Para enjoar, decerto. Porque precisar, não precisa. Uns cravinhos, talvez um pau de canela, tudo bem. Mas para puxar o sabor, a pitada de sal já resolve. Sutil assim, realçando o gosto. Feito um vaso de flores no canto certo para atrair e irradiar bons fluidos. Feito a felicidade, que independe dos milhões que você tem no banco, ou não tem”.

    Essa passagem é tão afetiva! Me lembra as cozinheiras de Minas Gerais, da roça, que fazem doces como ninguém.

    Continue Reading

Pin It on Pinterest