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Carolina Dini

  • Receitas

    Como lidar com pequi?

    Pequi é comida do Cerrado, então o Norte de Minas Gerais e Goiás, por exemplo, são abençoados por essa beleza que é motivo de fusuê toda vez que o nome é citado: quem ama conta boas histórias, há quem filosofe a respeito, outros fogem até das fotos… Amo esse rebuliço hahaha!

    O Dani, meu companheiro, é o alucinado do pequi. Uma vez a gente fez uma travessia no entorno de São Jorge/GO, que calhou de ser bem na época da colheita. Nos esbaldamos com empadão de pequi, arroz de pequi, pequi na conserva, pastel de pequi, balde de pequi cozido, salivo só de lembrar…

    Mas nem sempre gostei, essa é a verdade: fui dando uma chance ao longo da vida. Meu pai é o responsável por hoje eu amar o fruto, lembro das arrozadas incríveis que ele fazia.

    Para quem tem medo de pequi, preciso dizer que o único cuidado a se tomar na hora de comer é não morder, e sim roer, pois no centro existem muitos espinhos. Ou seja, é iguaria (sim, iguaria!) para se comer devagar, alegremente.

    Para fazer uma arrozada de pequi

    Primeiro, deixe pronto um arroz da maneira que você já faz mesmo, porém sem cozinhar excessivamente, para depois a gente incorporar ao final e aguentar mais calor.

    Enquanto o arroz fica pronto, coloque tantos pequis quanto tiver, higienizados, é claro, numa panela com água quase o suficiente para cobrir tudo e leve à fervura com uma colherada generosa de sal.

    A ideia é deixar a água evaporar completamente para a polpa soltar bem, adicionar bastante alho picadíssimo, fritar até ficar dourado e só então colocar o arroz. Vale uma dose de cachaça também, antes do arroz entrar em cena. No fim, ajuste o sal e tá pronto.

  • Receitas

    Comida vegetal em Belo Horizonte

    Em homenagem a quem fica supondo que nunca peço comida e sempre tô ultra disposta a cozinhar (de onde cês tiram essas coisas, gente? hahaha), fiz uma lista com pessoas e restaurantes que entregam comida vegetal em Belo Horizonte, meu país, fora dos iCoisas (ou que pelo menos têm opção de pedir por fora).

    Não conheço todos, viu? Muitos são indicações que recebi de vocês (obrigada!).

    IMPORTANTE: este post não é uma crítica aos negócios que dependem dos deliveries para não quebrar, combinado? Já disse minha opinião sobre isso aqui neste texto onde comento sobre a situação dos entregadores de comida. 

    A pandemia acentua a cada dia a crise que esse setor está passando e lamento muito tudo isso. Ao mesmo tempo, dou preferência a quem trabalha de forma independente ♥️

    Bora lá:

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    Faltou alguém na lista? Comenta aqui dizendo o @ no Instagram e eu adiciono!

    Alguém da lista deixou de operar nesse esquema que falei? Quero saber 🙂

  • fermentados

    Manga fermentada

    Essa talvez seja a receita mais simples do mundo! Com as espécies de mangas menos cheias de fiapos fica ainda melhor, mas pode usar qualquer uma, tá?

    Higienize bem quantas mangas quiser, seque bem com um pano de prato, extraia as cascas e transfira a polpa para uma bacia.

    Vá apertando a polpa com as mãos até ficar bem desmanchada e formar uma pasta homogênea.

    Agora coloque a polpa dentro de um pote de vidro higienizado e aperte bem. Essa “apertada” serve para comprirmir e extrair ao máximo o oxigênio dentro do pote, para que a fermentação ocorra de forma anaeróbica (sem ar).

    A gente só precisa deixar um espaço de 2 dedos entre o conteúdo e a tampa para evitar que o conteúdo vaze ou o pote literalmente exploda (não precisa ter medo, é só não esquecer desse espaço de 2 dedos, tá?!).

    O pote vai bem fechado para a geladeira. Quanto mais tempo passar, mais ácido o sabor. Vá experimentando e entenda o tempo ideal para você!

    O máximo de tempo que já deixei o pote dentro da geladeira: 20 dias. Quando chega nesse ponto, fica incrível usar a manga fermentada fazer “chutneys”, por exemplo. É só fritar bastante alho, cebola e pimenta, acrescentar todo o conteúdo do pote, temperar (vale sal e especiarias), mexer bastante até a polpa reduzir bem.

    A manga fermentada também entra nas geleias doces e outras preparações, como sucos, bolos e pães.


    E-book sobre fermentação de vegetais

    Aqui você pode comprar meu livro digital Para Começar a Curtir: Fermentação de Vegetais (R$34), que contém 18 receitas, poemas culinários, técnicas ilustradas e um FAQ (perguntas frequentes) para tirar todas as suas dúvidas sobre fermentação!


    Geleia de manga com maracujá: essa receita tem uma acidez ótima!

  • Receitas

    Conserva de alho cru

    “Vão fazê um arroz alhudim hoje?”

    Tempero é uma coisa engraçada, né? Aqui em Minas Gerais existe um costume de se colocar alho em muitas preparações (para não generalizar e dizer todas). Só de sentir o cheiro de alho refogando já imagino a tradicional duplinha feijão&arroz bem “alhada”, um desbunde, amo horrores.

    Para variar um pouco, costumo triturar alho descascado com um talo de alho poró e, contrariando a maneira que me foi ensinada, não coloco sal para conservar, simplesmente cubro com bastante azeite, cobrindo tudo para não oxidar, como na foto.

    Há vezes que trituro gengibre e pimenta dedo de moça junto.

    Noutras, alho com ervas frescas e cominho, mas nesse caso é bom fazer pouca quantidade pois as ervinhas costumam estragar rápido mesmo na geladeira.

    Excesso nunca é bom, né?

    Mas a coisa que quase ninguém sabe é que a família botânica aliáceos (cebolinha, alho poró, cebola, nirá e chalotas) agitam a mente. Antes de me observar, achava esse papo angelical demais, “coisa de hippie”. Ah, os pré-conceitos…

    Depois de fazer do meu corpo um laboratório, vi que realmente existem ingredientes que me deixam em estado de alerta, por isso deixei de consumi-los todos os dias, especialmente no período noturno. Não é à toa que os yogis evitam alho e cebola: segundo essa turma, tais ingredientes ativam a “paixão”, o que atrapalha a meditação pois “enraízam a consciência mais firmemente no corpo”.

    Teve uma vez que empolguei com gengibre, conhecido pelo poder termogênico. Comecei a usar em tudo! Depois é que fui perceber o tanto que isso estava influenciando meu sono, cheguei a ter noites muito mal dormidas antes de me tocar.

    Muito interessante olhar para os alimentos a partir dessa perspectiva, né? Fico fascinada com o tanto de coisas que um único pedacinho de ingrediente pode causar no nosso corpo. Já parou para reparar se tem algum que você come todos os dias?


    Fotos por @taiobabrava, pelos olhos da @luizabongir

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