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Carolina Dini

  • Receitas

    Broa de fubá vegetal

    Broa vegetal fofinha e sem farinha de trigo, como deve ser

    Eu e o Stanley, cozinheiro no @mandaknega, recebemos um convite do Circuito Municipal de Cultura para gravar o último quadro do Festival Histórias de Alimentar a Alma 2021, promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, para cozinhar alguma delícia mineira.

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  • bebidas

    Suco de limão fermentado

    Vejo inúmeras receitas com limão siciliano pelo mundo afora, mas quase nunca com o limão-capeta, também conhecido como “rosa”, “cavalo” e “cravo”, presente nas roças de boa parte do Brasil. O nome científico da fruta já denuncia seu cruzo divino entre o limão e a laranja: Citrus X limonia. Em homenagem a essa lindeza resplandecente que ganha de lavada do limão siciliano, vim ensinar a fermentar o limão-capeta.

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  • Filosofando com as panelas

    A beleza pela beleza

    É preciso pedir licença para falar sobre a beleza?

    Qual a importância da beleza na hora de montar um prato caprichado num final de semana especial e onde ela está presente no dia a dia corrido? Há espaço para a beleza pela beleza nesse sistema capitalista, onde cumprimos o papel utilitarista de máquinas desejantes? Há futilidade na beleza?

    Essas perguntas andam me rondando faz tempo, especialmente depois de ter começado a estudar a arte da temperagem do chocolate, coisa que considero parte do meu trabalho – quando falamos sobre a cozinha, uma técnica específica pode ser aplicada em outras receitas, não há limites.

    Numa dessas imersões chocolatudas, quando compartilhei as imagens de uma barra cheia de pétalas de flores laranjas numa quarta-feira à tarde, resultado de vários testes que renderam uma considerável pilha de panelas e bancadas sujas, uma renca de pessoas me escreveu perguntando se o doce estava “à venda”, outras tantas pediram de forma grosseira a receita simplesmente ordenando: “receita?”, e uma mão cheia de gente insinuou sobre a “folga” de fazer chocolate “uma hora dessas”. O mesmo aconteceu quando resolvi fazer shoyu e missô para afastar a mesmice pandêmica e entender melhor esses processos fermentativos, que dependem de fungos específicos.

    Essas reações inóspitas me confirmaram a importância de dedicar tempo à beleza e às amenidades da vida sem pedir licença. Pode ser, por exemplo, um exercício simples de observação de alguma planta comestível (ou não) ou de qualquer outra coisa que que não custe dinheiro algum. Fico feliz da vida olhando de perto o caule das minhas centenas de plantas, suas cores, o encontro das folhas, eventuais frutos, cheiro, superfície, gosto… Parece que isso renova alguma coisa dentro de mim.

    Conversando com uma moça que acompanha meu trabalho sobre o que pode ser belo em meio à feiura, ela me indicou o documentário “Why Beauty Matters?” (por que a beleza importa?), que joga uma luz nesses devaneios. Logo depois o Daniel, meu companheiro, me enviou essa palestra da Professora Lúcia Helena Galvão, onde ela fala justamente sobre o documentário, uma coincidência danada! Espero que gostem – e assistam com olhos críticos!

    Aproveito para compartilhar o post “como usar e onde comprar missô”, que fiz com a ajuda do pessoal lá no Instagram!


    Me encontre pelas redes

    IG: @cebolanamanteiga
    Blogue: cebolanamanteiga.com
    Twitter: @cebolamanteiga
    Para comprar meus livros
    Para saber mais sobre o meu trabalho como Planejadora Alimentar

    Com amor e com fome,

    Carolina Dini

  • fermentados / Receitas

    Como usar e onde comprar missô

    Qual o gosto do missô?

    Fico sempre curiosa quando vejo uma comida diferente. Lembro quando comi missô pela primeira vez há alguns anos e me veio aquele gosto levemente doce e ao mesmo tempo bastante intenso, meio amargo talvez, que faz salivar e preenche a boca. Aí entendi, mais do que nunca, como é de fato o “sabor umami”. Desde então, sempre que posso dou um jeito de comprar um potinho de pequenos produtores para experimentar diferentes missôs.

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  • Filosofando com as panelas

    Dá para esfriar a cabeça?

    Passe uma infusão e se achegue

    Os novaeristas prometem uma ascensão planetária que não chega nunca. Enquanto isso, tento praticar a proeza de desligar o botãozinho da problematização para não ficar o tempo todo questionando o mundo inteiro, senão até o suco levemente adoçado vira motivo para debater a vida amarga de quem trabalha nas usinas da cana (sempre me lembro do poema ”o Açúcar”, do Ferreira Gullar, que foi apresentado por uma amiga).

    Às vezes não me permito nem um segundo de descanso mental e isso estava me deixando muito amargurada, a ponto da minha terapeuta (e do meu fígado) puxar minha orelha. Se eu continuasse daquele jeito, não haveria pé de boldo que resolvesse meu problema.

    Para amenizar essa amargura pandêmica, separei intervalos na semana para não fazer absolutamente na-da, nada mesmo, e também para ler ficções e tirinhas, escutar músicas dançantes e principalmente me anestesiar assistindo seriados culinários completamente questionáveis, que me fazem revirar os olhos de preguiça em determinados momentos (comecei a contar um pouco sobre os rituais que pratico no Jornalzinho de agosto).

    “Mas Carol, com tantos livros e matérias boas para ler, canais marxistas para assistir, conteúdo sobre plantas para ver, receitas para estudar, podcasts para ouvir, você vai investir seu tempo dando audiência para programas televisivos com uma cosmovisão hegemônica, machista e elitista?”

    “Sim”, responderei sem culpa, já que para descansar a cabeça me permito transitar com leveza por outras realidades sem ter que ligar correndo para as amigas para debater um absurdo que acabei de assistir, mandar um super textão reflexivo no grupo de estudos ou fazer um post gigante contando por que devemos boicotar isso e aquilo.

    Eu estou cansada (alguém não está?) e por isso tenho aprendido a guardar forças para dialogar sobre temas profundos com gente minimamente aberta às minhas lutas, sob pena de exaurir todas as minhas energias com coisas e pessoas que não posso mudar.

    Já recebi críticas de quem pense que esses intervalos de respiro me tornam menos militante, mas cheguei numa conclusão contrária: eles me fazem ter mais ciência do que está acontecendo fora da minha bolha de gente antenada à todas as tretas e lutas, sabe?

    Mas isso sou eu, minha gente. Super entendo quem jamais conseguirá desligar o botãozinho da problematização. A bem da verdade, acho que ele continua apitando o tempo todo na minha cabeça, o que muda é a atenção que dou para o que chega até a mim.

    Feitos vários recortes, eis as indicações dessa cartinha, que chega numa tentativa de acalentar corações. As dicas que contam com pontos problemáticos estão apontadas, assim você pode escolher se vale a pena investir um tempo nessas aleatoriedades ou não, tá?

    Para ler

    Arroz de Palma: indiquei esse livro certa vez no Instagram mas acho que não fui enfática o suficiente. Francisco Azevedo escreveu uma ficção que narra durante um século a vida de uma família de Portugal para o Brasil, cuja sorte eles acreditam girar em torno de… um saco de arroz! O livro é poético, belíssimo, para ler com calma e fingir que o bolsomundo explodiu. Me deu ódio quando a narrativa relativizou a colonização portuguesa e quando Antônio, o personagem principal, quebrou um pacto importante com a esposa? Sim, mas não deixei de chorar e de me inspirar por causa disso.

    Quadradinhas: eta, como estou viciada em HQ´s! São leituras rápidas e muitas vezes bobinhas que me distraem. Sento na rede para ler com uma xícara de chá e esqueço da vida. Se você não for uma pessoa de livros físicos, como eu, é só acessar essas belezuras pelo Instagram.

    WillTirando: há anos acompanho essas tirinhas e o meu mês favorito é o de agosto, quando os cães pipocam pelo site. Um deleite para a mãe de pet que sou hahaha!

    Para assistir: 

    Raiza Costa: para quem não conhece, Raiza é uma chef confeiteira bem sarcástica (amo) que mistura muita arte e design gráfico com memórias afetivas e uma paleta de cores vibrantes. É uma pena que ela taque produtos de origem animal em quase todos os doces que faz, então quase nunca tenho oportunidade de reproduzir as receitas. Assisto pelas técnicas e por que acho bem bonito de ver. Disponível no YouTube. 

    Crazy Delicious: eu detesto com todas as minhas forças os programas que contam com chefs de cozinha no corpo de jurados sempre prontíssimos para julgar (e até mesmo humilhar, convenhamos) os cozinheiros convidados que estão ali sob uma pressão imensa. Mesmo seguindo mais ou menos esse modelo, o Crazy Delicious conseguiu capturar minha atenção: o cenário é mágico, toda vez que assisto me inspiro a cozinhar algo diferente e, além disso, descobri nele pessoas ultra criativas para acompanhar pelas redes sociais! Disponível na Netflix.

    Somebody Feed Phill: o protagonista é um tiozão do pavê que faz piadinhas sobre a esposa e isso me dá um ranço enorme. Por outro lado, ele dança deliciosamente quando come e as entrevistas de quase todos os episódios são de babar. A edição do programa também é um deleite! Disponível na Netflix.

    In a Heartbet: uma animação curta e importante sobre o despertar de um novo amor (catei a dica no Twitter da Paola Carosella). Disponível no YouTube.

    Ugly Delicious: para uma pessoa vegana, como eu, ver o Chang cozinhar é como assistir um show de horrores, mas as entrevistas, viagens e vivências me fazem sucumbir. Indico especialmente o episódio “dont´call it curry” (“não chame isso de curry”), que me fez pensar bastante sobre a apropriação cultural que a gente sequer percebe. Sim, tem uma problematização presente nesse última frase, mas continua sendo um programa do David Chang, né? Disponível na Netflix.

    Chef´s Table: Asma Khan (@asmakhanlondon): o terceiro episódio desta série da Netflix, na temporada 6, conta a história de uma chef maravilhosa que encontrou na cozinha sua própria liberdade e a de outras mulheres também. Finalmente a série trouxe uma temporada com mulheres ganhando visibilidade tanto quanto os homens. Asma prova que não é preciso violência, gritaria ou assédio moral para se tornar uma cozinheira que desafia padrões e ao mesmo tempo lida com panelas quentes de muitos litros com força, coragem e, pasmem, tendo uma vulva no lugar do falo!

    Para escutar: 

    Playlists esquisitas para suar: sigo criando combinações musicais para as pessoas rebolarem as bundinhas em casa. O melhor é que tem quem jure de pé junto que escuta, canta e bate palma – que beleza! Minha preferida se chama “Dança Comigo?

    Esse disco delicioso do Bola Sete, que já decorei de tanto ouvir enquanto mexo minhas panelas.

    Se cuidem e se permitam um pingo de descanso mental de vez em quando, viu?


    Autopropaganda:

    Sigo prestando com muita alegria as consultorias de planejamento alimentarvendendo o e-book de fermentação de vegetais e outras coisas mais. Vem comigo?

  • Filosofando com as panelas

    Memórias culinárias: o que será feito delas?

    O correr dos dias não para de me trazer reflexões sobre a pressa que as redes sociais virtuais geram na gente. Não é à toa que todo mundo anda debatendo este assunto! Inclusive, levei meus questionamentos até para a terapia! O que notei, por aqui, foi que as receitas rápidas muitas vezes se perdem; a dica esperta que conta detalhadamente como usar um ingrediente desconhecido é esquecida; o tempo dedicado à captura fotográfica de mil ângulos de uma comida bonita vai para um arquivo nunca mais visitado…

    O Black Alien traduziu meu sentimento, na música Take Ten: “entre milhões de views e milhões de ninguém viu”. Na maior parte das vezes, se alguém viu, finge que não viu. E, quem sabe, viu sem compreender?! O que faz sentido? Qual a mensagem que estou passando? Estou me fazendo clara? Qual o impacto?

    Tudo isso me deixa ansiosa e com saudade dos papos longos, que são possíveis somente na presença do outro. A conversa virtual, ainda que feita com cuidado e um mínimo de continuação, carece de tato, tom de voz e da miniatmosfera formada pela presença dos corpos. Quero muito me tornar a pessoa que caminha mais devagar pela vida, mesmo que o mundo inteiro nos instigue a fazer o contrário.

    Leituras que inspiram

    Estava andando na rua pensando nessas coisas, num dia em que fui ao Centro resolver alguns problemas burocráticos, e me deparei com uma livraria pequenina anunciando livros de contos e crônicas culinárias em promoção. Como estou lendo alguns títulos políticos e outros bem técnicos ao mesmo tempo, queria comprar um “mamãozinho com açúcar” para contrastar.

    Na bancada promocional estava o Minha Mãe Fazia, da Ana Holanda, e outros mais da Nina Horta. Como fiquei com uma preguiça irreparável da Nina depois de ler O Frango Ensopado da Minha Mãe, já que faz alegações desconectadas da realidade, do tipo: vegetal orgânico “é tudo meio miúdo e enrustido”; que para trabalhar na cozinha “sem humor e sem generosidade não vai dar” e que não adianta um cozinheiro vir alegar desinteresse “com essa de que sou pobre, não estudei, moro longe, a cozinha é muito quente” — como se a cozinha fosse um lugar fácil, que valoriza as pessoas as remunerando super bem… —, não tive dúvidas e investi no título da Ana Holanda. Talvez, mais para frente, meu ranço passe e eu consiga ler outras coisas da Nina por insistência de algumas amigas, pois de fato ela escreve muito bem e traz ideias interessantes de combinações de ingredientes quando não está fazendo ode ao porco.

    A Ana Holanda leciona aulas sobre escrita afetiva e, acredito que por isso mesmo, é uma autora com uma leveza que me teletransporta. Mesmo que eu não vá fazer nenhuma das receitas do livro, pois todas estão entupidas de ingredientes que não consumo, o texto me pegou de jeito porque é um desejo antigo escrever sobre as memórias culinárias da minha família. Venho fazendo isso aqui e ali, mas nunca parei para reunir as escrevinhanças.

    Apenas recordo que, aos dez anos de idade, resolvi pegar escondido o caderno de receitas da minha mãe, que estava com muitas páginas soltas, prestes a se perderem, para digitalizar em segredo. Reuni com uma de minhas irmãs, a Lorena, para ajudar na missão e passamos dias na frente do computador trasladando os dizeres daquelas páginas tão bonitas, no intuito de não perder as informações contidas ali. Juntamos todas as nossas moedas para encadernar aquelas muitas folhas impressas numa capa dura de cor azul marinho e letras douradas em relevo. Minha mãe amou a surpresa, mas, depois de alguns anos, nos confessou que nunca confiou plenamente no livro, pois erramos na hora de digitar algumas quantidades — Hahahaha! —, então o que a tocou foi nossa atitude carinhosa.

    Como resgatar memórias culinárias?

    Sempre que pergunto, durante as aulas de planejamento alimentar que leciono, qual é o prato preferido da pessoa atendida, a maior parte simplesmente não sabe responder ou fala que é o “deliverie de sexta à noite”, sem nem ao menos especificar a comida em si.

    Não quero viver num mundo onde nossa referência afetiva seja qualquer empacotado entupido de glutamato monossódico, muito menos numa sociedade sem fogão, como promete o iFood e companhia. Sei que poucos têm poder de escolha quando falamos de comida, mas, se depender de mim, quero encorajar sempre que possível as pessoas a irem para a cozinha, nem que seja para grelhar vegetais no café da tarde. Aqui, neste post, eu falo sobre memórias da minha infância com os pastéis da minha mãe!

    Uma das ideias que sugiro às pessoas que fazem Consultoria de Planejamento Alimentar comigo e têm preguiça de se dedicar a um caderno de receitas é a criação de um caderno de memórias. Quando a preguiça bater ou só vier à cabeça o mesmo fazer culinário de sempre, o caderno vai estar lá, repleto de ideias!

    O meu funciona assim: na primeira parte, entram os leites vegetais; na segunda, as receitas de um tabuleiro só; na terceira, os antepastos fáceis de fazer para deixar na geladeira; na próxima, as combinações de temperos que aprendo estudando a Ayurveda; e por aí vai.

    Sugiro que comece alimentando esse caderno devagarzinho, e ouvindo essa playlist que acabei de fazer: suavecito. Vem comigo?


    A foto da capa deste post é do querido Breno da Matta (@brenodamatta)


    Autopropaganda honesta 

    Consultoria de Planejamento Alimentar: vem se organizar comigo!

    Aula particular sobre fermentação de vegetais: te conto tudo sobre essa delícia!

    Livro digital Para Começar a Curtir: Fermentação de Vegetais

    Semanário Vegetal: planeje as refeições e consulte a sazonalidade dos vegetais!

    Cozinha Extrassensorial: livro de receitas harmonizadas com óleos essenciais brasileiros — juro que não faço parte do time que sustenta o marketing multinível dos OE. Acredito na flavorização de receitas, esporadicamente e com muita cautela, como já contei no Twitter.

  • fermentados

    Um mundo de gente fermentadora

    Depois do lançamento do meu livro Para Começar a Curtir: Fermentação de Vegetais, que, para mim, foi o acontecimento mais feliz de 2020, ando recebendo uma chuva gigante de fotos de potes e mais potes coloridos: são ervas descansando na salmoura para cá; frutas combinadas com vinagres, açúcares e especiarias para lá; bebidas dos mais variados tipos… Uma alegria sem fim que borbulha os sentidos!

    Em homenagem a essa gente aberta, que anda fermentando o mundo inteiro junto comigo, fiz a Fermente!, uma playlist com bons episódios de podcasts sobre fermentação, pois já que não posso matar a fome de comidas através das telas, mato pelo menos um golinho dessa sede de conhecimento!

    No mais, espia aqui estas 3 maravilhas:

    • o Zero-Waste Chef é um canal, no YouTube, que conta com várias receitas de vegetais fermentados;
    • o Chinese Cooking Demystified também tem uma infinidade de receitas;
    • o episódio “Ervas”, da terceira temporada da série A Origem do Sabor (da Netflix), é de babar de tão bonito!

    Para receitas fermentadas, venha comigo!

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