• Filosofando com as panelas

    Como fazer e cuidar de uma composteira doméstica (minhocário)

    A mudança incrível que a composteira faz na vida

    Falo muito sobre a importância da gente cuidar do lixo que produz, pois é aquela velha história, de fato: não existe isso de “jogar fora”. Quando percebemos o meio ambiente como extensão do nosso território, acabamos por absorver a necessidade de cuidar dele.

    Antes eu achava que compostar o lixo era uma coisa que jamais se encaixaria na minha rotina. Pensava que iria feder a casa inteira, que minhocas andariam pela sala, enfim, um tanto de crenças me afastavam da compostagem.

    Eis que casei com meu companheiro, Daniel, que já tinha uma composteira pequena que estava desativada. Foi por isso que mais ou menos na mesma época fiz uma oficina incrível com a galera do @massalasprojeto para construir uma outra que comportasse todo meu lixo orgânico, já que cozinho bastante. A coisa mudou de rumo. Hoje eu e meu companheiro reciclamos quase todo o nosso resíduo orgânico – digo “quase”, pois uma singela parte do que a gente produz não é recomendada colocar no minhocário, conforme mostrarei no fim do post.

    Como o Daniel composta há mais tempo que eu, concordou em bolar junto comigo esse guia bem completinho de como compostar. As fotos belíssimas que ilustram tudo é da @nanirodrigues.

    Como fazer uma composteira doméstica (nesse caso, um minhocário)

    Para facilitar a vida, deixo aqui um vídeo bem didático bem curtinho, sobre como fazer uma composteira com 3 baldes, que garimpei no YouTube. Juro que é simples. Se você não é do tipo que constrói coisas, existem sites que vendem composteiras prontinhas. 

    Abaixo, um manual completo de como cuidar, pois essa parte requer um pouquinho mais de atenção. Senta, pega uma xícara de café e vamos lá:

    Identificando sua composteira doméstica

    • Dois baldes digestores, posicionados na parte superior do sistema e furadas no fundo. Os furos possuem o tamanho suficiente para possibilitar a travessia das minhocas e o escoamento do excesso de líquido (chorume orgânico) para o balde coletor. Neles serão colocados os resíduos orgânicos da sua cozinha.
    • Um balde coletor, na parte inferior do sistema. Ele não é furado e possui uma torneira embaixo. A função desse coletor é coletar e armazenar o chorume (líquido que escorre dos resíduos alimentares). O chorume orgânico é um biofertilizante muito forte e concentrado, por isso deve ser diluído em água para ser utilizado como adubo na rega das plantas. Acompanhe a produção de chorume e abra a torneira para verificar se você precisa extrair, pois a quantidade é variável e vai depender do material orgânico que você colocar na sua composteira.
    • Tampa, que possui pequenos furos que possibilita a entrada de ar no balde superior, mas impede a entrada de insetos voadores. A tampa também regula a umidade do sistema.• Minhocas californianas (Eisenia andrei). São excelentes agentes decompositores, menores e aparentemente mais oleosas que as nossas minhocas nativas, comum em nossos jardins. Diferentemente dessas, as minhocas californianas possuem a capacidade de se alimentar dos resíduos orgânicos frescos.
    • Cama de minhocas. É a mistura de terra (composto e húmus, se tiver) e serragem (ou outra matéria seca) que deve forrar o fundo dos baldes digestores. Nessa camada de substrato as minhocas podem ser refugiar em casos de variações de temperatura devido à fermentação dos resíduos e caso haja algum desequilíbrio no ambiente interno do balde.

    Informações importantes para o uso da Composteira Doméstica

     

    1. Sua Composteira Doméstica deve ficar em um local arejado e sombreado. O calor em excesso compromete o bem estar e a vida das minhocas, além de acelerar o processo de decomposição e causar desequilíbrio.
    2. Inicialmente, coloque os resíduos orgânicos em cima do local onde as minhocas se encontram. CUBRA OS RESÍDUOS ORGÂNICOS COMPLETAMENTE com matérias secas (folhas, palhas, serragem, papel, papelão picado ou jornal, como última opção). O melhor tipo de material para este fim são as serragens grossas, mas tudo bem se usar da fina, que é mais comum. Atenção para não pegar serragem de madeiras tratadas (verniz, tinta, etc), nem de aglomerados e fórmicas devido às colas e químicos presentes nesse tipo de material. Você pode conseguir serragem gratuita nas marcenarias (procure uma perto de sua casa e leve uma sacolinha, nós nunca pagamos por elas).
    3. Os resíduos orgânicos devem ser colocados no balde digestor que está em cima (balde onde se encontram as minhocas). O uso específico de cada um vai determinar o tempo de enchimento do balde, bem como o período
      de compostagem completa dos resíduos. Quando este primeiro balde encher (tem que encher MESMO, pra ter contato com o fundo do balde que ficará por cima pras minhocas poderem migrar depois de terminarem ‘o
      serviço’ nesse balde), coloque-a no meio do sistema, e suba o balde que estava no meio para receber os próximos resíduos orgânicos. Este balde também deve receber uma camada primária que pode ser retirada (cama de
      minhocas) do balde que ficou cheio, pois a quantidade de minhocas no início ainda é reduzida, então elas levarão mais tempo que o normal para digerir totalmente os resíduos orgânicos dos primeiras baldes. Por esse
      motivo, é possível que nas primeiras colheitas de húmus os resíduos não estejam totalmente “digeridos”, porém, já passaram pelo processo de fermentação (calor) e pode ser usado normalmente como adubo. Em
      poucos meses as minhocas se multiplicarão, povoarão os dois baldes digestores e compostarão seus resíduos orgânicos mais rapidamente. Quando for trocar o balde, vale a pena mexer o conteúdo do balde de cima com a ajuda de uma pá.
    4. Para agilizar o processo de digestão das minhocas, pique-os antes de colocá-los nos baldes. Outra coisa, as minhocas conseguem sobreviver até 3 meses sem a inserção de novos alimentos. Portanto, se precisar viajar por
      tanto tempo, complete o baldes com alimentos frescos e vá tranquila(o) mas não se esqueça de deixar a composteira na sombra!
    5. Para possibilitar a retirada do biofertilizante líquido (chorume orgânico) pela torneira, a composteira deve estar apoiada em algum suporte que eleve a altura do balde inferior. Recolha e dilua-o em água, na proporção de 1 parte para 10 a 15 partes de água e regue suas plantas.
    6. Às vezes acontece de algumas minhocas caírem no balde do chorume e morrerem afogadas por não conseguirem voltar para o balde do meio. Para evitar isso é aconselhável coletar o biofertilizante semanalmente
      ou COLOCAR UM OU MAIS TIJOLOS DENTRO DESSE BALDE ENCOSTADO EM UMA DAS PAREDES. O tijolo oferecerá a aderência necessária para as minhocas conseguirem sair do líquido e subir para o balde do meio.
    7. Para a coleta do húmus é necessário que o balde do meio (cheio) esteja sendo ‘trabalhado’ pelas minhocas a algumas semanas (como já observado, cada sistema tem o seu tempo). Quando elas terminarem de digerir tudo
      irão migrar para o balde de cima, com alimento fresco. Uma estratégia é colocar esse balde cheio (do meio) aberto no sol (se possível) pois as minhocas mergulharão para o fundo, facilitando a retirada do adubo que estará na parte superior do balde. Nas primeiras retiradas de húmus sugerimos devolver as minhocas para a composteira para aumentar sua população.

    O minhocário pode se comportar de várias maneiras

    O minhocário é um sistema vivo e único, tem o seu próprio tempo e jeito de se comportar, assim como você. É importante que você participe de sua evolução, entenda suas necessidades e comportamento para que tudo funcione direitinho, sem cheiro, sem moscas, etc. É super normal que no começo as coisas andem um pouco mais devagar, já que o equilíbrio é alcançado com pequenos ajustes de rota ao longo do tempo – se estiver muito úmido, coloque mais serragem (ou outra matéria seca), se muito seco, diminua; se muito chorume, drene com mais frequência, e assim por diante.

    O que PODE ser colocado na sua Composteira Doméstica

     

    – frutas, legumes, verduras, grãos e sementes;
    – saquinhos de chá, erva de chimarrão, borra de café e de cevada;
    – sobras de alimentos cozidos (sem exageros) ou estragados e cascas de ovos;
    – palhas, folhas secas, serragem, gravetos (quebre-os em pequenos pedaços), podas de jardim;
    – papel toalha, guardanapos de papel, papel de pão, embalagem de pizza e papel jornal (tudo picado).

    O que NÃO PODE ser colocado na sua Composteira Doméstica

    – carnes de qualquer espécie;
    – casca de limão, laranja e outros cítricos;
    – laticínios, óleos, gorduras;
    – papel higiênico usado;
    – fezes de animais domésticos;
    – alimentos cozidos (em mais quantidade que os alimentos crus);
    – temperos em grande quantidade.

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