• Filosofando com as panelas

    Lista de 10 atitudes para motivar a cozinhar mais em casa

    Como tomar gosto pela cozinha?

    Várias pessoas já me perguntaram como fazer os olhinhos brilharem na hora de ir para a cozinha, mas a verdade é que não existe receita pronta. Ainda que a gente se conecte com a alimentação, não há nenhuma garantia que você vai executar pratos com um sorrisão na cara todos os dias. Até eu, que vivo da cozinha e sou fascinada pelo universo culinário, sou de vez em quando surpreendida pela preguiça. Nessas ocasiões a banana vira jantar, e tá tudo bem.

    A ideia desse post é incentivar você a adotar pequenas-grandes atitudes que aos poucos irão te fazer repensar a terceirização massiva da sua alimentação. Acredito que cozinhar muda o mundo e amo incentivar as pessoas a descobrir novos sabores e a ouvir as panelas. 

    No fim das contas, comer é só um pretexto para conectar com o mundo. 

     

    Foto da @laradias

    Bora?

    1 – Faça da alimentação uma prioridade

    Ninguém vai colocar tanto amor na sua comida quanto você mesmo. E o caminho da cozinha passa pelo auto-amor: garanto que quando você se dedicar mais à alimentação vai sentir que está nutrindo o corpo, e verá que isso traz um bem-estar danado.

    Meu despertar para a necessidade de cozinhar em casa começou lá mesmo, na beirada do fogão. Passei a enxergar essa dedicação como autocuidado ao invés de tarefa. É lá que consigo aquietar minha mente, prestar atenção nos cortes, na interação dos ingredientes, no poder que eles tem de modificar um ao outro, como se agregam ou se repelem, como ativam ou minam as propriedades das receitas, como sobrepõem os gostos dependendo da quantidade utilizada… É um mundo de possibilidades! Foi na cozinha que encontrei minha quietude. Cozinhando eu esqueço do mundo e tiro folga de todos os problemas.

    Aliás, a cozinha me mudou muito, pois sempre fui super ansiosa. Tentei de tudo pra controlar a ansiedade: florais, espiritualidade, homeopatia, fármacos, terapia junguniana e freudiana, hipnose, aromoterapia… Tudo isso me ajudou bastante, mas absolutamente nada fez tanto efeito quanto a meditAÇÃO na cozinha. 

    Colocando a barriga no fogão aprendi a lidar com meu corpo, a dormir melhor, a ter mais disposição e alegria. Foi só me observando que percebi qual alimento é melhor para mim, e ainda que um profissional da nutrição te avalie, somente você mesmo vai poder entender o que é realmente bom para o seu corpo. Por isso, coloque a alimentação com prioridade para enxergar o ato de cozinhar como um potencializador da sua energia, já que nosso corpo é um sistema complexo que merece ser bem cuidado.

     

    Foto da @laradias

     

    2 – Faça uma lista das coisas que você sabe cozinhar

    Se você já se aventura pela cozinha, fazer uma listinha do que você sabe cozinhar ajuda muito. Quando eu cismo com uma receita, faço ela várias vezes até chegar no resultado perfeito. Depois disso, enjoo da mesmice e passo meses sem repetir o prato. Como com o passar do tempo acabo me esquecendo dela, por isso adotei um caderninho onde eu anoto tudo que produzo, para não esquecer o que eu sei fazer. Pode parecer bobagem, mas funciona. Não é à toa que nas gerações anteriores os livros de receita eram tão comuns. 

    Que tal fazer o seu próprio livro? Existem muitas papelarias especializadas em caderninhos bonitos para anotar receitas. Mas também vale um caderninho qualquer, não pode é ter desculpa.

    Vai dar gosto ir acrescentando, aos poucos, as receitas que você aprendeu a fazer e também as que irá inventar ao longo do tempo. A gente vai perdendo o medo quando começa a entender a função de um ingrediente e a aí a a criatividade flui.  É uma simples questão de observação.

    3 – Tenha ervas e especiarias em casa

     

    Foto da @laradias

    Desde que meu companheiro fez pra mim uma estante aberta de temperos e colocou na parede ao lado do fogão, minhas receitas ganharam mais textura, cor e sabor. Dava muita preguiça ficar fuçando nos armários para sacar de lá minhas especiarias. Agora elas estão à minha vista, e isso me dá ânimo e me deixa mais criativa. Somos humanos e temos fome de mudança, por isso é importante variar o gosto dos alimentos. Nesse post falo sobre como fazer o próprio curry, que é um mix de especiarias delicioso. 

    Para começar sua própria coleção, frequente lojas a granel. Esse é um passo gigantesco para se familiarizar com novos gostos e fazer compras conscientes. Lá você vai encontrar muita novidade e variedade. De preferência, na chora de comprar leve pequenos potes de vidro (se não tiver em casa, adquira numa loja de embalagens por um precinho módico) para evitar o uso desnecessário de sacos plásticos que serão em seguida descartados e vão demorar anos para decompor.

    Além disso, cheire sua comida. Para se familiarizar com os alimentos, é muito importante cheirá-los. Isso cria memórias e nos faz reconhecer os ingredientes escondidos nos pratos. Aos poucos esse exercício vai nos aproximando da cozinha, pois é uma forma de conexão. Aliás, quando for fazer compras, seja a pessoa que cheira tudo, pois se o alimento estiver fresco, o cheiro vai exalar com mais facilidade.

    Também vale manter no armário outros ingredientes para quando a vontade de testar alguma receita bater. Costumo ter sempre à mão farinha integral, manteiga ghee (manteiga clarificada), azeite, pasta de amendoim, melado de cana, balsâmico, açúcar mascavo, bifun (macarrão de arroz), frutas secas, sementes e grãos, como chia, lentilha rosa, semente de girassol e gergelim, e por aí vai. O dinheiro que eu investiria comendo fora eu uso para renovar meu estoque de ingredientes Tenho feito todas as refeições em casa para duas pessoas, desde o café da manhã ao jantar, e minha média de gasto semanal incluindo tudo que citei é de R$200,00

    4 – Planeje sua alimentação semanal

     

    Foto da @luizabongir

     

    As compras realizadas em grandes quantidades ajudam a economizar nosso tempo. Mas se não forem bem planejadas, acabam prejudicando o orçamento, pois na maior parte das vezes não usamos todos os produtos perecíveis, que acabam sendo descartados. E pensar em desperdiçar alimentos num mundo onde muita gente morre de fome deveria ser um assunto fora de cogitação.

    É muito mais difícil pensar no planejamento mensal. Por isso, vale dividir suas compras por semana, pois geralmente aos domingos já temos uma prévia de como os próximos 7 dias serão. Eu, por exemplo, costumo marcar reuniões às terças e quintas, então já sei que provavelmente não chegarei a tempo de cozinhar à noite.

    No começo pode não parecer fácil, mas tudo é uma questão de hábito. Planejar as compras é essencial para que a gente perca menos energia e possa reduzir o desperdício dos alimentos.

    Antes de sair de casa, pare por um minuto e pense:

    Um planejamento bem feito é um incentivo para equilibrar a dieta e cozinhar o próprio alimento, pois a famosa listinha de compras nos dá uma visão ampla do que estamos ingerindo.

    Quando planejamos a alimentação semanal e compramos de pequenos produtores, fomentamos o comércio local e gastamos menos tempo se deslocando e estressando no trânsito. De quebra seu dinheiro fica no seu bairro ou em torno dele, desenvolvendo com isso o comércio e a comunidade local. E nem preciso dizer que, se falta ideia, aqui você encontra um monte delas, né?

    Caso opte por comprar no supermercado, organize a lista por seção, agrupando produtos que ficam próximos uns dos outros, como frutas e verduras, itens pessoais e de higiene, etc.

    Para outras dicas de como planejar sua alimentação semanal, clica aqui. 

    5 – Entenda sua fome e anote num caderno tudo que você consumir durante o dia por 3 semanas

     

    • O que seu corpo está pedindo?
    • Como você se alimentou ontem?
    • Qual cor faltou no seu prato nos últimos dias?
    • Você consumiu mais gordura, proteínas ou carboidratos?

     

    Quando a gente coloca os ouvidos à disposição da escuta do corpo, tudo muda. Custei a entender, por exemplo, que tenho certa intolerância ao alho. Todas as vezes que como fico arrotando horrores. E só foi possível esse entendimento quando comecei de fato a prestar atenção no que estava consumindo. Entender nossa fome e de onde ela vem me fez ter ainda mais vontade de cozinhar.

    Para ter mais noção de como anda sua dieta alimentar (não tô falando de regime, hein?), anote num caderno tudo o que você consome durante 21 dias, do café da manhã à hora do jantar. No começo essa tarefa pode parecer chatíssima e provavelmente você irá esquecer um item ou outro, mas esse exercício dá uma bela visão macro do que estamos comendo. Os 21 dias são necessários para criar um hábito. Depois desse tempo, vai ficar super fácil ter um mapa mental do que você está comendo.

    Meu consumo de doces caiu drasticamente depois disso, pois eu anotava cada balinha que ganhava por aí no meu caderninho de bolso. Tomei um susto quando percebi que minha alimentação não andava tão boa quanto eu pensava, e isso me motivou a cozinhar mais em casa.

    Sr você não é de escrever, vale fotografar também e guardar tudo numa pastinha do celular. 

     

    6 – Tenha objetos afetivos na cozinha

     

    Essa panela de barro me lembra as estradas de Minas Gerais, com suas montanhas e horizontes

    Foto da @laradias

    É batata: quando olho para o pratinho que comprei em Tiradentes, interior de Minas Gerais, me lembro do fim de semana gostoso que vivi por lá na companhia de pessoas queridas. A colher cor de rosa me lembra da vez que uma amiga me levou para conhecer um bazar de objetos culinários, a panela com fundo grosso antiaderente me recorda uma viagem para o Rio de Janeiro. Os pratos de cerâmica pintados à mão me levam de volta à Feira do Bixiga, que acontece em São Paulo aos fins de semana. Tendinhas aos montes vendendo itens que provavelmente fizeram parte da coleção de pratos de alguma avó.

    Quando bate uma certa preguiça de cozinhar, fuço meus armários e saco de lá objetos bonitos pra recordar de historias felizes.

    O que quero dizer é: ao invés de montar sua cozinha toda de uma vez, gastando rios de dinheiro numa super loja da moda, adquira objetos aos poucos. Um prato de cada cor, uma taça ou copo de cada jeito e um viva à diversidade!

     

    7 – Convide pessoas para cozinhar com você

     

    Aqui você encontra uma receita de granola artesanal  pedaçuda

    Foto da @laradias

     

    Na nossa sociedade patriarcal é muito mais comum ver as mulheres com a tarefa de alimentar uma família inteira, e com isso o ato de cozinhar se torna um motivo de grande cansaço. Por isso, se você é homem, saiba que participar da cozinha não é prestar “ajuda”, e sim fazer sua parte. Não espere a mulher com quem você divide o teto ou a vida, seja ela sua mãe, companheira, esposa, tia ou namorada, pedir para você picar cebolas. Participe, pergunte, faça.

    Cozinhar é fazer micropolítica! 

    E também é um ato de amor, pois é muito satisfatório partilhar o fogão com alguém querido. Faça um teste: escolha uma receita mais complexa e planeje com quem você escolheu a ida ao mercado, a montagem da mesa, a confecção da receita e depois a lavagem das louças. Quando a gente divide a cozinha, fica fácil cultivar uma relação afetiva com a pessoa que nos cerca e com o alimento.

    8 – Sempre que puder, defume sua casa antes de cozinhar

     

    Nos dias que minha energia está baixa, coloco canela em pau para ferver em água o suficiente para cobrir até borbulhar. Desligo o fogo e deixo a canela aromatizar a casa. O cheiro que exala renova as energias, pois essa especiaria tem um poder muito grande de mudança. No livro Cura Vibracional, a autora Deborah Eidson fala que “a canela é sentida como uma bola de fogo de energia que liberta e purifica tudo em seu caminho. Energeticamente, ela trabalha para libertar as memórias. Antigamente, ela era usada como moeda de troca, assim como o sal. Além disso, ela era força de motivação de novas rotas e aumenta a circulação, segundo a medicina chinesa”.

    É mesmo impressionante como essa casca pode mudar a energia do ambiente. Experimente!

    9 – Comece fazendo comidas rápidas e fáceis para deixar na geladeira

     

    No dia em que a banana for virar jantar, tudo bem. Mas que tal incrementar a “iguaria” com uma granola caseira que você pode manter num potão vedado por semanas?

    Deixar comidinhas prontas à mão é um grande passo para comer mais em casa. Por isso, comece pelas fáceis. Tire duas horinhas do seu final de semana para dedicar às pastinhas, que geralmente duram 5 dias na geladeira.

     

    Foto da @luizabongir

     

    Aqui no Cebola você encontra muitas ideias, quer ver alguns exemplos que faço com frequência? É só clicar nos links abaixo para acessar as receitas: 

    10 – Faça mais sucos para equilibrar a alimentação

    Para quem não consome folhas, frutas e vegetais com frequência, os sucos verdes ajudam muito. Eles são sempre motivo de polêmica, pois tem gente que fala que o excesso de fibras não é legal, ou que o nível de glicose sobe por causa das frutas batidas, já ouvi até que faz mal. A verdade é que o negócio todo está no equilíbrio: nada de colocar couve em todos os sucos ou usar muitas frutas de cada vez. A ideia é sempre VARIAR.

    Para isso, segue um mini guia:

     

    Esse eu fiz com sementes de melão, beldroega, maçã e óleo essencial de laranja doce

     

    Verdes pra substituir a couve

    Beldroega (PANC que a gente encontra facilmente em canteiros pela cidade), dente-de-leão, agrião, pepino, etc.

    Doce além do açúcar

    Stévia em folha, tâmara demolhada, eritritol, melado de cana, banana, demerara e maçã.

    Para outras cores

    Para sair do verde mas ainda assim tomar um sucão que hidrata: beterraba, cenoura, cúrcuma, jabuticaba (fervida e coada), cenoura, leite vegetal, urucum.

    Para acelerar o metabolismo 

    Gengibre, chá verde, hortelã, canela (prefira consumir esses ingredientes pela manhã, para não atrapalhar o sono)

    Ômega 3

    A Beldroega é uma planta cheia de ômega 3, o que raro no reino vegetal. A linhaça hidratada também é uma boa pedida: basta deixar uma cl. (sopa) hidratando em água o suficiente para cobrir e usar depois de 20 minutos.

    Sucão proteico

    A folha ora-pro-nobis, famosa nas terras mineiras, cai bem no suco, mas não exagere para não atrapalhar o gosto, cerca de 7 folhas por copo basta. O brócolis e o espinafre também são boas fontes de proteína!

    Para ficar mais gostoso

    A acidez do limão equilibra o sabor amargo que as folhas escuras geralmente tem, além de ter bastante Vitamina C.

     

    Extra! Leitura complementar

     

     

    Nesse post eu falo O Que A Cozinha Ensina Sobre Viver a Vida.  E se gostou dessa lista de medidas para cozinhar mais em casa, partilhe com os amigos. Isso ajuda a difundir o autocuidado pelo mundão. 

    Ah, também estou lá no Instagram como @cebolanamanteiga. Vamos nos amar virtualmente? =)

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